as pessoas vem a todo o instante possível me interpelar a respeito das compras que eu fiz na europa. a todos esses, gostaria de deixar claro que, primeiro, não sou nenhum navio português que foi à índias em busca de especiarias; segundo, só viajei porque ganhei de presente as passagens de ida e volta para londres ( o que é muito importante, tendo em vista que eu mesma tive que me pagar portanto, a estadia nas outras duas cidades em que estive) do meu pai e mais setecentos reais que, para o velho, deveria dar para custear todos os meus gastos na terra da rainha e na europa. agora é só fazer as contas e se verá que setecentos reais não dava mesmo para nada.
mas de igual maneira, logo começam os questionamentos… “e tu não trouxe, assim, nem um cremezinho da victoria’s secrets?”, não, não trouxe. porque acho esses cremes da victoria’s secrets muito sem graça, sem cheiro interessante e ruins. com um pote desses cremes eu compro uns 2 da nivea que são os melhores para o meu tipo de pele (pele tipo lixa). “e as maquiagens?”, olha, não é que eu não quisesse, maquiagem realmente é muito mais barata, porém, não tive tempo. deixei para comprar na free shop que é bem mais barato que nas lojas normais, mas assim que fiz o check-in o piloto ou sei lá quem do avião já começou a fazer a última chamada e nem um último muffinzinho inglês eu pude comer. não pensem que eu não fiquei profundamente triste com isso… e nem que eu não quis comprar nada. para dizer a verdade, por mim, traria toda a oxford street e a champs-elysees numa sacola, mas como não achei nada que coubesse no meu bolso, fiquei apenas olhando mesmo. e até fui lá naquelas galerias laffayette, onde me apeteceu comprar quase tudo, mas, enfim e como sempre, os preços não se me davam. até namorei meia dúzia de calcinhas da princesse tam-tam, mas a verdade é que, além de caras, eram coisa assim muito tapadas, muito grandes a bunda e quem me conhece sabe que, como boa brasileira, eu gosto de deixar o meu rabo bem à mostra pois, afinal de contas, é uma das poucas coisas que tenho para mostrar.
“ah, mais e os casacos, não trouxe nenhum?”. bem, eu fui para a europa da temporada de alto verão, ou seja, não tinha casaco para vender. na realidade, até tinha naquelas lojas que já estavam lançando suas coleções outono-inverno, mas eram coisas tão absurdas que com um daqueles eu comprava uns 3 na renner e, falando sério, prefiro ter mais roupas baratas mas várias roupas do que só ter uma que quando eu terminar de pagar já nem mais vai existir.
além do mais, eu fiz uma opção: comer. porque eu gosto de passar um pouco bem e preferi comer todo o dinheiro que não me permitia comprar nada. então eu enchi o bandulho de crepes parisienses, de sorvete, de cerveja e deixei as compras para uma outra oportunidade em que eu seja mais rica.
nem sempre podemos fazer tudo ao mesmo tempo na vida. infelizmente. e acho que é assim.
espero não ter decepcionado muito as amigas por não ter trazido nenhum chaveirinho nem pra mim, mas acontece que tenho um só molho de chaves do qual penso em me livrar todos os dias. para não dizer que não trouxe nada, me trouxe sim uma bolsa e uma carteira exclusivas, um perfume nina da nina ricci, uns produtos da l’occitane, da the body shop, um espelhinho do moulin rouge e um pacote de meias da primark (nem tudo pode ser coisas boas…). e sinto-me muito feliz com o saldo.