as minhas prosas.

escrevo sobre coisas.

19.11.09

agora está na moda as famosas ficarem grávida, fazerem propaganda do creme hidratante monange (que nem é bom, diga-se de passagem) e depois irem para as capas das revistas mostrarem seus belíssimos corpos com as chamadas “como fulana de tal manteve a forma durante a gravidez” ou “sicrana exibe belíssima forma após a gravidez” e coisas semelhantes. porque as famosas não engordam… engordar é para pobre. mas agora elas têm também uma outra moda, a de ficarem mais fortes, mais mulheres e se sentirem muito mais seguras depois de se tornarem mães e, ainda por cima, recomendam: ser mãe é a melhor coisa do mundo, a vida de uma mulher muda completamente para melhor depois que se é mãe. ora, por favor!, só falta dizerem agora que a mulher tem vocação e que nasceu só pra parir… agora claro, pra elas que não precisam lavar a louça, fazer comida, tem 5 babás dentro de casa pra dar banho, comida e limpar a bunda dos seus respectivos rebentos, podem fazer uma lipo uns meses depois do parto e tem um marido rico que vai enchê-las de presentes caríssimos e vestidos  da dior por este esforço sobrehumano que é o de ter um filho, é claro que a vida deve mudar pra melhor. e até entendo que devem se sentir mais seguras…

eu adoro a famosidade, agora, por favor, parem de dizer bobagens, suas claudias leites da vida. me respeitem!

11.11.09

o dia em que a gente foi visitar a torre eiffel (quero dizer, o segundo dia), tivemos uma briga feia. uma briguinha assim, sem mais, coisa de rotina, provavelmente por alguma razão muito besta como é o motivo para quase todas as brigas… talvez porque eu tenha feito tu sair da fila certa para a fila errada, talvez porque no dia anterior, quando chegamos no guichê pra comprar os ingressos o homem só nos disse que os ingressos para o top tinham acabado e que, portanto, apesar da minha insistência, voltássemos amanhã ou nunca mais que tanto fazia para ele. o que eu sei é que não sei porquê exata razão a gente brigou, eu desisti da torre eiffel e disse que tu viesse logo atrás de mim que nós íamos para o “maravilhoso louvre que tu tanto queria ir, e que eu não queria nunca mais te ouvir falar sobre isso”, mas que tu bateu o pé e que foi por muita compaixão mesmo que eu não te deixei ali sozinho, sem guia turístico, sem mapa, sem dinheiro e sem telefone que estavam na minha mochila que tu, um meio maricas que é, não prestava nem pra carregar, me fazendo um favor.
aos poucos, aquele casal que já fazia escândalo, às nove horas da matina, no pátio da torre eiffel, foi se aproximando, se reconciliando, olhando pros lados, notando e achando muito engraçado o cabelo daquela italiana, e falando em baixo tom de voz para que os cariocas que vinham logo atrás não descobrissem esse outro grupo de dois brasileiros. e tudo ia idno assim quase que muito bem, até passar um guarda, segurança ou seja lá quem for e informar uma por uma pessoa da fila que aquele elevador ia demorar pra abrir, que o outro elevador estava estragado e que se agente quisesse subir as escadas (não sei de onde aquele homem loiro e muito simpático tirou tal idéia… ora que eu iria a paris para fazer step! por favor! se fosse assim, me inscreveria pra maratona…). e eu conversei com ele, tirei todas as dúvidas, fiquei ali na fila, do teu lado, paradinha ATÉ um outro colega daquele guarda, segurança ou seja lá quem for começou a gritar que os elevadores não estavam nenhum funcionando e que quem quisesse subir na torre que se dirigisse para as escadas! aí eu fui um pouco a loucura, mas uma loucura comedida que não queria experimentar uma delegacia francesa muito cheia de franceses, e fui, de novo, perguntar ao primeiro, o loiro, que história era aquela. muito bem, nem precisei falar nada, o guichê abriu e, para a nossa sorte, que já estávamos arrependidos, tristes e muito frustrados com a bendita torre, muita gente tinha saído da fila para subir as escadas e, em uns quinze minutos a gente já estava no elevador, um elevador horrível que parece que vai cair a todo o instante, como se fosse perdendo força quanto mais subia e o frio na minha barriga ia aumentando, aumentando, aumentando, eu já estava quase pedindo pra parar tudo e descer de novo pro chão que aquilo dava muito medo, e chegamos lá em cima!

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desculpem as péssimas fotos, mas estávamos mais ocupados em correr dum lado pro outro para ver cada canto do que em fazer cartões postais.

de lá é tudo muito mais bonito! com direito até a beijo, abraço e foto a dois.

10.11.09

para que tu nunca mais me diga descaradamente que eu passo o final de semana inteiro com o meu pai e zelo mais pelo compromisso de almoçar com ele do que pelo de ficar contigo e que, só por isso, tu vai ter que ficar um dia sem me ver para jogar um “campeonatinho” de winning eleven que, todos sabem, podem durar dias, semanas e até anos (não duvido mesmo), porque é o que eu mereço por ser uma vaca malvada e péssima namorada, esta sexta-feira abrirei mão da pouca paz da minha casa e vou te convidar para jantar, as minhas expensas, no “tudo pelo social”, porque ainda não estou nadando em uma banheira de ouro e nem cagando dinheiro, ou, se tu quiser ficar em casa para jogar mais um maldito pré evolution soccerzinho, levarei tudo para fazermos uns sanduíches de baguete, de pão de cacetinho ou de pão de sanduíche mesmo, o que mais me apetecer quando eu entrar no zaffari aí pelas 18h 30, 19 horas, baseados numas receitas que vou descobrir agora.

e aí até podemos aproveitar que o teu rico irmãozinho não estará em casa e aprontarmos umas boas que, desde que ele chegou, não pudemos fazer para não perturbar a paz alheia.

9.11.09

o meu pai, dia 5, fez 60 anos. 60 redondinho, mesmo que ele diga que fez foi 38 e que ano passado ele tinha 39. meu pai gosta de viver, gosta de viajar e, anos atrás, entre me convidar para largar a faculdade e sair a viajar com ele num daqueles ônibus casa, me disse que tem medo de morrer.

o meu pai também gosta de brincar de cozinheiro nos sábados ao meio dia e em meia hora e me pediu um livro sobre pizzas que ensine como fazer desde a massa até os recheios todos, mas eu não encontrei. o meu pai gosta de tomar vinhos e cuidar dos cachorros como se cuidasse (e melhor até, muitas vezes) dos filhos. o meu pai tem milhões de histórias pra contar e gosta de contar todas na presença de gente nova, como o meu “noivo” ou durante um percurso longo de viagem.

o meu pai jé é avô, já tem 60 anos e eu espero que dure muito mais tempo porque até os meus 27 anos é ele quem vai me sustentar.

é muito bom que, uma vez por ano, ainda possamos passear de mãos dadas pela feira do livro, na praça da alfândega, dividir (com brigas) um saco de pipoca doce e comprar uma tonelada de livros que eu carrego, porque a tua coluna dói e, decerto a minha é de ferro.

é uma coisa assim que tem graça de fazer contigo. como algumas poucas outras.

30.10.09

novidade #2

agora, além de um aparelho ortodôntico, digo, um monte de ferros na boca que me impedem de entrar no banco porque a porta tranca toda a vez que eu tento entrar, também estou usando um óculos. acontece que esses 23 anos aí que constam na minha carteira de identidade são tudo pura fachada! na verdade tenho uns 60, eu e a minha vista cansada.

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27.10.09

duas recuperações e uma dúzia de Cs. minha vida acadêmica vai de vento em popa!

22.10.09

tu tem aparecido muito pouco por aqui… foi o que eu percebi. e não é porque estamos brigados, porque nos afastamos quase definitivamente ou porque eu, simplesmente, já não te dê mais importância.

acontece que minha vida mudou um pouco. criei novos interesses, comecei a fazer coisas diferentes que acho engraçadas e que, no mais, tenho vontade de contar e um pouco também porque, de fato, nos afastamos um pouco: o teu trabalho e o teu futuro mestrado não permitem a minha nada suave intromissão. nada suave… e isso me lembra aquele dia, há uns 2 anos-e-alguma-coisa atrás, quando tu me disse que não poderia ter outra, mesmo tendo liberdade para isso, porque eu não deixava espaço. e é verdade… eu te ocupava todo! invadia o teu trabalho no IEPE num e-mail sem calcinha e muito molhado, atrapalhava tuas aulas e, quando eu sabia que tu ia sair, fazia tu voltar correndo para casa pra me ligar e pra ver aquelas minhas fotos sensuais que tinha feito para presentear o m. no seu aniversário, com uma simples mensagem de 10 ou 12 palavras, bem picantes, é claro.

a gente dava uma história muito longa de como chegamos até aqui. mas é tão curta e tão, tão…, ah, tão assim sem história a história de como estamos aqui agora. era muito mais divertido te ver caído de quatro na minha frente a cada gemido que eu dava enquanto tu estava dentro de mim. e mais engraçado ainda quando eu ia em cima de ti e te desmanchava nuns segundos. se bem que, façamos justiça: isso ainda acontece. mas já nem tem mais tanta graça como antes. acho que um pouco porque esquecemos das nossas cadeiras, as últimas, lá do cinema e outro pouco porque tu simplesmente não me diz mais nada de conveniência. e se for bem isso, o que eu acho que é, ainda vamos brigar ferrenhamente ao longo da vida. porque sexo, moço, é preciso que tu saiba agora antes que seja tarde, tem que ser bem feito, tem que ter amor. mas não amor de “eu te amo”, mas amor ao sexo mesmo, tem que ter poesia erótica, putaria, disposição, vontade e tesão pelo próprio sexo e não só pela minha barriga. isso quer dizer que eu preciso ser bem cortejada, que tu tem que me dizer mundos de coisas, como aquela mensagem que tu mandou esses dias dizendo que tinha sonhado com a minha bunda ilumnidade pela luz da tv. eu preciso desse tipo de coisa. e também de alguma coisa de espécie mais romântica, como um “tô com saudade”, ou “te adoro muito”, de e-mails atrás, porque somos namorados e, embora já se tenha sugerido isso, eu não sou uma empregada da tia carmen.

se nós deixamos de sermos loucos, é porque deixamos esfriar, porque tu não manteve a coisa como deveria nem se esforçou o suficiente. e eu exijo esforço, exijo tempo, exijo criatividade, exijo vontade quase 24 horas por dia. e não é muito não, como tu pensa, talvez nem seja tudo. é apenas que eu exijo uma correspondência mínima de sentimentos. será que tu compreende agora?

se tu aparece menos por aqui, neste cantinho onde relato todas as minhas desgraças e agraciações com alguns indíviduos marcamtes na minha vida amorosa e sexual, é porque tem outras coisas me chamando mais a atenção no momento, o que eu acho não acho nem bom e nem certo. vamos fazer o seguinte: tu me manda um bilhetinho bem apaixonado e louco de paixão por mim, e eu prometo fazer tudo bem direitinho até tu chorar, que nem antes. que tal?

21.10.09

nós, estudantes de veterinária, quando temos uma tarde de quarta-feira livre, ao invés de nos dedicarmos aos livros, preferimos fazer uma visita ao shopping, tomar um chope a metro e  rirmos das aventuras sexuais da bruna surfistinha. e ainda achamos que a vida tem muito mais graça assim. e que ninguém nos acuse quando a gente reclamar que não temos os melhores salários e que não estamos nos melhores empregos. gostaríamos muito de lá estar, mas o caminho é tão longo e tão difícil… a vida é só uma, ora veja que grande conflito! mas não tiramos fotos, rimos comedidamente e falamos baixo, ninguém terá nenhuma prova contra nós!

20.10.09

se eu vou te ligar hoje? até iria, ate poderia ligar, mas não vou porque tu não está merecendo.
tu me mandou um e-mail muito desaforadamente vazio! compreende? percebe que eu pulei de felicidade e que meu coração saltou várias vezes numa taquicardia nervosa quando vi uma mensagem tua e que, por conta disso, por pouco não tive uma parada? e qual não foi a minha decepção quando vi que não tinha nada dentro, nenhuma linhazinha mixuruca que fosse escrita? e que pior ainda, vinha com o título "gosto dessas", dessas o que? dessas coisas nenhumas, dessas piadas que faço com a tua cara e depois morro de rir? era isso?
pois fique sabendo, hoje, o senhor não merece a minha atenção!

16.10.09

enquanto estava me deliciando com um enorme pretzel açúcar e canela e, pelo menos um quilo mais gorda, me remoendo de tanto remorso por achar um pretzel tão delicioso, me dei conta de aquelas gurias que passavam, assim tão bonitas, de barriga lisa e pernas finas e compridas não deveriam comer, como eu, um pretzel açúcar e canela em pleno o meio da semana sem ser qualquer ocasião especial.

aí fiquei meio chocha, assim, pensando numa pança enorme crescendo em mim até perceber que eu era tão pequena que minhas pernas nunca seriam tão finas e muito menos tão compridas. mandei essas gurias todas pastarem, em pensamento, e devorei meu pretzel.

deixo para amanhã o início de uma ferrenha dieta.

15.10.09

uma vez pensei que as pessoas eram feitas umas para as outras, que isso era a mais plena das verdades e eu é que andava meio torta e à passeio nesse mundo sem tempo nem vontade de encontrar a minha outra metade.

mas aí eu vi tantos lindos casais caírem, se desentenderem, se mudarem de casa, se separerem  em definitivo ou temporaria e ricularmente, como se uma briga de casal fosse se resolver assim, cada um para um canto fazendo o que bem lhe der na telha por uns meses. e aí eu me dei conta que não existe esta bobagem de se ser feito para o outro, mas sim uma paciência sem limite e uma vontade de ficar junto, de ambas as partes, infinita, e que são essas duas coisas que mantém duas pessoas unidas e só elas. porque se uma cair em falso, já é o suficiente para o relacionamento ir por águas abaixo e porque, para mim, não existem duas e três chances. temos uma chance de acertar e, por isso, é preciso fazer bem feito.

e aí eu descobri que, uma história sexual de carnaval pode sim, talvez e quem sabe, até dar certo e até durar mais um ou dois anos…

14.10.09

ando tão cansada, mesmo nessa semana sem provas, sem chuvas e sem estudar (embora devesse muito) que não sei nem por onde começar…

este final de semana foi o primeiro do semestre que aproveitamos de fato e com tudo que temos direito! eu antecipei e já comecei comendo pizza na quinta-feira, o que é coisa difícil para mim, que acho que pizza é uma comida ocasional que deve ser consumida em certas datas, apenas, ou no final de semana. mesmo assim, não resisti a praticidade , e ela estava tão a minha frente já logo na entrada do zaffari… já aproveitei e levei duas, ora bolas! um final de semana que começa na quinta à noite tem tudo para ser muito longo… e a outra pizza comemos na sexta, e nem é que eu queria ir à casa do meu namorado, mas é que lembrei que tinha deixado lá uma guloseima de 7 reais e, por isso, fui obrigada a ir até lá, afinal de contas, o mar não está para peixe, se comprei, então tenho que usar. nos dois dias seguidos ele até que foi um pouco inteligente e me esperou com uns filmezinhos inéditos porque, como o mar não está para peixe, ele decidiu que quer economizar com o cinema em que muito raramente vamos. por mim, que pouco gosto de filmes, não me faz diferença. e além do mais, ir ao cinema é uma das coisas que gosto muito de fazer sozinha em minha única e própria companhia.

no sábado ele foi pra aula e eu fui comer, rir, comer e contar coisas com a luci na cidade baixa e depois voltei pra casa que já sentia saudade do meu ranchinho.

no domingo, que era aniversário de 28 anos da minha irmã, teve almoço aqui em casa com toda a família portoalegrina e um bolo muito gostoso da maranghello que, com certeza, é uma das oitavas delícias do mundo, mesmo que eu ainda não tenha comido as outras 7. mas isso é só um detalhe. o outro detalhe é que lá pelas tantas choveu e o dia ficou enjoado e nós fomos para a casa da irmã dele, ele para olhar tv e eu para me irritar com aquela mania dele de trocar de canal a cada 4 segundos.

na segunda-feira, que era feriado, dia das crianças e da padroeira do brasil, almoçamos no mc donald’s, fomos pra casa, transamos, fomos no shopping com amigos tomar chope à metro e brincar num fliperama que tem muitos jogos, carro-choque e uma espécie de barco vicking que fica girando e é redondo e não em forma de barco.

de noite comemos pizza com amigos, eu a thaís ficamos a falar mal dos homens enquanto eles foram jogar bola das 23h à meia noite e, depois, eu e ele fomos dormir aquele nosso soninho dos anjos, merecido e com pouca sem-vergonhice.

o resultado foi que eu não estudei absolutamente nada, não fiz nenhum trabalho que deveria ter feito e nem aquele que ganho para fazer e, ontem passei a noite corrigindo uns relatórios que, para minha pouca alegria, nem estavam dos melhores. engordei uns dez quilos só de pziza, mas acho que hoje voltei a vida normal com uma lição eterna: é muito bom estar de férias!

13.10.09

eu: - mas e se eu decidisse e arrumasse um bom emprego só no campo e pudesse vir muito pouco pra cidade?
ele: - ah, aí eu posso trabalhar só com wealth management...

5.10.09

dia desses meu professor de fisiologia que é um cara assim muito atento aos alunos, me chamou pra uma conversa particular. a princípio eu pensei que era frescura, afinal de contas, não tenho qualquer assunto pra tratar com ele que não seja aquele eletrocardiograma que eu nunca vou entender. depois, quando ele reiterou que precisava falar comigo, ou seja, não era assim uma conversinha qualquer, ele precisava, já pensei que ele ia me xingar por chegar meia hora atrasada em quase todas as aulas, dar umas risadas debochadas das piadas sem-graça que ele faz ou porque, às vezes, eu fico quase dormindo em aula porque tenho um sono incontrolável.

e qual não foi minha surpresa quando o assunto tão importante dele era a minha tremedeira a aula toda pois, segundo ele, eu “pulo na cadeira a manhã inteira, gasto muita energia e, portanto, deve ser praticamente impossível que eu preste atenção em alguma coisa”. em parte isso é bem verdade: eu me mexo sem parar quando estou na sala de aula, na parada de ônibus, fazendo xixi no sanitário, escovando os dentes, enfim, mexo, incontrolavelmente, mãos e pernas durante a prática das atividades básicas da vida. e o professor, muito preocupado foi procurar saber se eu não tinha lá uma mediunidade ou se não havia assim nenhum espírito rondando minha casa e meu corpo e atrapalhando minha concentração e minha vida, mas como disse-me ele, estava tudo bem com meu lado espiritual, então resolveu me recomendar um neurologista, porque existem alguns problemas de transmissão nervosa em que a pessoa fica sofrendo deste mesmo mal que eu, uma espécie de hiperatividade, que eu prefiro chamar de esquisitice crônica com vocação para a esquisitice.

e é sério que fazia tempo que não me sentia tão estranha e alienígena quanto aquele dia.

é segunda-feira à tarde, domingo acordei com uma gripe do cão, estou doente, estou em casa, meu olhos ardem ao primeiro e qualquer sinal de luz, tenho vontade de vomitar volta e meia e estou sem graça.
seria muito desaparecer nesse ou no próximo instante?

3.10.09

sexta-feira não foi um dia de sorte.
acho que o mundo acordou de mal comigo e só pode ser mesmo isso.

2.10.09

dicas de uma atriz global, mais nova que eu, de como deixar o cabelo lindo, maravilhoso e sedoso e deslumbrante, para a revista caras:

“Quinzenalmente a atriz vai ao salão fazer uma hidratação profissional. “Acho mais seguro hidratar os fios em uma casa especializada, pois os produtos são melhores e o efeito é garantido”, ensina. Em casa, lava o cabelo com xampus e condicionadores de boa qualidade, de marcas como a Kérastase, e não deixa de lado o leave-in, como o Liss Control, Tec.NiArt. "”

o dia em que eu virar atriz da globo, crescer uns 30 centímetros e virar modelo internacional ou ganhar um mínimo de cinco mil reais por mês, prometo fazer o mesmo.

(essas revistas perderam mesmo o respeito pelo seu fiel público leitor)

28.9.09

a fisiologia do coração, os band of horses e a vida de niétochka niezvânova estão ocupando, demais, a minha vida.

23.9.09

hoje, no ônibus, passou por mim uma velha com o teu cheiro e eu lembrei de ti. e não é que tu tenha cheiro de velho, mas acho que foi de propósito só para eu me lembrar de voltar a me apaixonar por ti num momento em que eu estava muito distraída com a paisagem.

20.9.09

confissãozinha

há poucas coisas na vida que trazem tanto prazer quanto afastar as pernas e: fazer xixi no box do banheiro enquanto tomo banho.

18.9.09

de modo geral, os finais de novela são sempre, sim, muito bestas. mas o final dessa última novela das 8, “o caminho das índias”, foi realmente de dar vergonha!

primeiro que a novela terminou muito sem pé nem cabeça com várias coisas por explicar que nunca foram ou serão explicadas, depois porque temrinou de um modo muito decepcionantemente sem graça numa festa em que os atores estavam representando era o seu papel na vida real e não os personagens e que deve ter sido inventada só para não se gastar ainda mais com uma festa de encerramento, afinal de contas, o que é que todo mundo - menos a dona cidinha que, segunda-feira descobri numa consulta à dentista, tinha feito uma cirurgia e não pôde participar – fazia numa festa sem motivo no final de tudo?

decerto a glória perez pensa que somos uns idiotas…

e a maya, que havia sido jogada no ganges, que perdeu todas as jóias, as roupas, acho que até os calçados e quase ia perder os cabelos quando entrou num viuvário para ser “enterrada viva”, já que não quis queimar na pira junto com o seu marido, como manda o costume, e que estava toda feia e horrorosa, sem maquiagem e sem nada que, de repente, vê o raj, amor da sua vida, e nem fica assim tão surpresa nem tão deseperada. ora!, numa hora dessas era que ela tinha que se jogar no ganges mesmo! mas não! ao invés começou a caminhar em direção a ele que, depois de uma explosão de trem, não tinha uma cicatriz e nem um rasguinho na roupa (detalhe que ele tinha sido transferido para um hospital lá de dubai e não tinha levado mala), e ela aparece toda pintada, linda, com um sari perfeito, uma maquiagem digna de um kaká moraes que, por óbvio, todos pensamos na frente da tv que era uma visão do raj, apenas uma visão do raj, e nos surpreendemos desaforadamente quando, na realidade, não era visão coisa nenhuma e a mulher tinha se transformado mesmo! e chegou em casa cheia das joias que tinha perdido e mais bonita que antes e nem ninguém deu por este causo.

ora, por favor, foi ridículo!

sem contar da professora que estava grávida desde o início da novela, o nieraj já tinha completado 1 ano, pelo menos, e ela ainda não havia parido a criança.

é uma grandessíssima falta de genialidade essas novelas!

17.9.09

não é verade o que dizia nossos pais de que o conhecimento é a única coisa que ninguém pode nos tomar: hoje estudo como louca para a prova de imunologia, semana que vem não lembro de mais nada e já esqueci tudo.

14.9.09

sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão...

sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão

vinicius e toquinho

 

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luciana e diego – atomium, bruxelas

13.9.09

as pessoas vem a todo o instante possível me interpelar a respeito das compras que eu fiz na europa. a todos esses, gostaria de deixar claro que, primeiro, não sou nenhum navio português que foi à índias em busca de especiarias; segundo, só viajei porque ganhei de presente as passagens de ida e volta para londres ( o que é muito importante, tendo em vista que eu mesma tive que me pagar portanto, a estadia nas outras duas cidades em que estive) do meu pai e mais setecentos reais que, para o velho, deveria dar para custear todos os meus gastos na terra da rainha e na europa. agora é só fazer as contas e se verá que setecentos reais não dava mesmo para nada.

mas de igual maneira, logo começam os questionamentos… “e tu não trouxe, assim, nem um cremezinho da victoria’s secrets?”, não, não trouxe. porque acho esses cremes da victoria’s secrets muito sem graça, sem cheiro interessante e ruins. com um pote desses cremes eu compro uns 2 da nivea que são os melhores para o meu tipo de pele (pele tipo lixa). “e as maquiagens?”, olha, não é que eu não quisesse, maquiagem realmente é muito mais barata, porém, não tive tempo. deixei para comprar na free shop que é bem mais barato que nas lojas normais, mas assim que fiz o check-in o piloto ou sei lá quem do avião já começou a fazer a última chamada e nem um último muffinzinho inglês eu pude comer. não pensem que eu não fiquei profundamente triste com isso… e nem que eu não quis comprar nada. para dizer a verdade, por mim, traria toda a oxford street e a champs-elysees numa sacola, mas como não achei nada que coubesse no meu bolso, fiquei apenas olhando mesmo. e até fui lá naquelas galerias laffayette, onde me apeteceu comprar quase tudo, mas, enfim e como sempre, os preços não se me davam. até namorei meia dúzia de calcinhas da princesse tam-tam, mas a verdade é que, além de caras, eram coisa assim muito tapadas, muito grandes a bunda e quem me conhece sabe que, como boa brasileira, eu gosto de deixar o meu rabo bem à mostra pois, afinal de contas, é uma das poucas coisas que tenho para mostrar.

“ah, mais e os casacos, não trouxe nenhum?”. bem, eu fui para a europa da temporada de alto verão, ou seja, não tinha casaco para vender. na realidade, até tinha naquelas lojas que já estavam lançando suas coleções outono-inverno, mas eram coisas tão absurdas que com um daqueles eu comprava uns 3 na renner e, falando sério, prefiro ter mais roupas baratas mas várias roupas do que só ter uma que quando eu terminar de pagar já nem mais vai existir.

além do mais, eu fiz uma opção: comer. porque eu gosto de passar um pouco bem e preferi comer todo o dinheiro que não me permitia comprar nada. então eu enchi o bandulho de crepes parisienses, de sorvete, de cerveja e deixei as compras para uma outra oportunidade em que eu seja mais rica.

nem sempre podemos fazer tudo ao mesmo tempo na vida. infelizmente. e acho que é assim.

espero não ter decepcionado muito as amigas por não ter trazido nenhum chaveirinho nem pra mim, mas acontece que tenho um só molho de chaves do qual penso em me livrar todos os dias. para não dizer que não trouxe nada, me trouxe sim uma bolsa e uma carteira exclusivas, um perfume nina da nina ricci, uns produtos da l’occitane, da the body shop, um espelhinho do moulin rouge e um pacote de meias da primark (nem tudo pode ser coisas boas…). e sinto-me muito feliz com o saldo.

12.9.09

há 12 dias chove sem parar em porto alegre.

eu já me sinto um peixe, já fiquei doente, e vou ficar umas duas semanas sem ver meu namorado.

odeiochuvaquenãocessa.

10.9.09

hoje não preciso das tuas mãos para sentir que tu existe.

9.9.09

belém velho cristal ufrgs

sim, concordo com todas as piadas: eu moro num fim de mundo. e descobri isso de uma das piores maneiras possíveis esse semestre: indo para a aula.

isto porque, para ir até a faculdade de veterinária, tenho que subir até ali a altura da igreja e esperar por um ônibus que passa de 40 em 40 minutos e que vem absurdamente lotado, a qualquer hora (às 6h 30 ou às 16h 10) e a qualquer tempo (muito frio e chuvoso ou muito quente e ensolarado). pois este bentido ônibus, que além de passar pouquíssimas vezes durante o dia e ainda por cima abarrotadinho, ainda atravessa boa parte da zona rural desta maravilha de cidade que é porto alegre, e também recolhe um pessoal de umas bibocas onde a luz elétrica deve ser precária e água encanada, com certeza, deve ser um sonho distante. digo isso, e não minto, porque o ônibus fede. fede a gente, a cachorro molhado, a suor de cavalo, a falta de banho, a roupa suada, molhada que depois é guardada e usada de novo. enfim, é um horror. e o fedor é tanto que lá pelas tantas eu mesma começo a me cheirar pois já penso que o cheiro é meu e eu é que estou numa fedentina. e que não ousem me acusar de preconceito ou coisa parecida, porque só penso que um banho por dia é o mínimo, depois de um prato de comida cheio, é claro, a que uma criatura humana deve ter o direito e o costume, pois seja frio ou calor, após vinte e quatro horas sempre, mas sempre mesmo, temos já um grude nas costas e outro no couro cabeludo que, com o passar dos dias, só tende a se acumular.

eu, que não imagino como alguém possa tomar banho apenas 2 vezes na semana, menos ainda imagino como pode alguém não só não tomar banho nenhuma vez como também não lavar as roupas. e tudo isso dentro daquele ônibus. e para terminar, tenho um argumento último, o de que já não é um caso de nojo da minha parte, mas, sim, um caso de saúde pública!

5.9.09

eu estou com raiva de ti. muita. ao mesmo tempo que também estou triste, de uma agonia… sentindo falta de uma coisa que não passa e, eu acho, que é falta de ti.

é sábado, dez e meia da manhã, acordei há pouco. e mal levantei da cama, já me encontrei em um tal estado de irritação quase transbordante que não sei o que fazer com ele… não quero ficar onde estou e nem fazer o que tenho para fazer. e também não quero fazer outras coisas diferentes ou sair para outro lugar. gostaria de voltar a dormir, mas não sei como, pois não tenho sono.

vai ver, como brincam os amigos, sou como que uma personagem do almodóvar e sofro de insatisfação crônica. o meu remédio seria umas boas e belas doses diárias de satisfação.

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porto alegre, rio grande do sul, Brazil
arrastando as alpargatas, dona de um carinho manso sou só uma morena, rosa e baguala.
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